Nos últimos quinze anos, as maiores empresas de varejo do mundo brigaram para conseguir um lugar de destaque no Brasil. Agora, a francesa Groupe Casino SA está prestes a deixar todas comendo poeira.
Na próxima sexta-feira, a Casino deve assumir o controle da rede Pão de Açúcar. Com isso, vai cimentar a posição de líder em um dos mercados emergentes que mais crescem no mundo, à frente de rivais multinacionais como a Wal-Mart Stores Inc. e a Carrefour SA. E Jean-Charles Naouri, presidente da Casino, já volta os olhos para outras paragens com a ideia de dar continuidade à expansão do grupo na América Latina.
O renovado interesse de grandes varejistas no Brasil é prova do apelo do país como um mercado com alto potencial, em um momento em que economias da Europa chafurdam na crise da dívida soberana e a recuperação dos Estados Unidos não consegue ganhar força. Segundo estimativas do centro de estudos IGD, especializado no setor supermercadista, o mercado brasileiro, um dos maiores do mundo, vai crescer 35% entre 2011 e 2015, de US$ 341 bilhões para US$ 462 bilhões. No mesmo período, o movimento em supermercados americanos deve subir a cerca de metade do ritmo, chegando a vendas de US$ 1 trilhão em 2015, segundo o IGD.
Para Casino, Wal-Mart e Carrefour, o investimento no Brasil lá atrás significou o acesso a uma crescente classe média, que incorporou mais de 31 milhões de pessoas nos últimos dez anos. Pão de Açúcar, Wal-Mart e Carrefour respondem, juntas, por cerca de 58% do mercado supermercadista brasileiro, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados.
O brasileiro está comprando carros como nunca, tornando grandes shoppings centers e hipermercados um destino altamente popular. E, além disso, essa reunião de lojas sob um mesmo teto tem forte apelo no quesito segurança — sobretudo num país no qual a criminalidade continua sendo um problema. Embora a classe média brasileira ainda seja concentrada em torno de grandes cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, o crescimento do país aos poucos irradia desses centros urbanos para outras regiões.
As três maiores redes varejistas do Brasil estão fechando o cerco sobre o Nordeste "para tirar o máximo do crescimento da renda em zonas relativamente pobres", diz Ira Kalish, diretor de economia global da Deloitte Research, parte da Deloitte Services LP. "Cinco anos atrás, ninguém construiria um hipermercado numa cidade com menos de 500.000 habitantes", disse Hugo Bethlem, diretor de assuntos corporativos da Pão de Açúcar, numa entrevista para o The Wall Street Journal este ano. "Hoje, com a ascensão de classe social e do poder aquisitivo de tantos brasileiros, já é viável um hipermercado numa cidade de 150.000 habitantes".
Agora, a Casino quer ampliar o sucesso registrado no Brasil com a entrada em novos mercados no continente. A ideia é usar o braço colombiano, a Almacenes Éxito SA, como base regional.
"A nosso ver, no sul do México há muitos países interessantes", diz Naouri. "Não vamos dar nomes específicos pois no momento ainda estamos buscando, mas a Éxito tem US$ 1 bilhão em caixa [...] dinheiro que será aplicado para comprar algo", diz ele